Código Hays: A censura de Hollywood

Nem sempre pudemos ver de tudo nas telonas dos filmes de Hollywood. No início dos anos 20, Hollywood era vista, de certa forma, como a cidade do pecado. Então, para melhorar a imagem, os estúdios e as pessoas mais importantes de Hollywood, decidiram contratar o advogado Will Hays para ajudá-los a colocar uma autocensura prévia. A censura durou oficialmente entre 1930 e 1968, e ficou conhecida como “código Hays”. O nome da lista de coisas proibidas era chamada de “The Don’ts and Be Carefuls” (Os não e tenha cuidado, numa tradução livre), e dividia-se em duas partes.

Na lista de “don’ts” (no qual o uso era extremamente proibido), havia: Palavras de cunho religioso, como “Deus”, “Jesus”, “Cristo”, entre outros – era permitido somente se houvesse cerimônia religiosa no filme, e somente nesta cerimônia -, assim como “Inferno”, “Maldição”, e qualquer outra palavra profana ou expressão vulgar; Nudez, ou qualquer coisa que desse a impressão de nudez ou silhueta; Qualquer referência a perversão sexual; Tráfico ilegal de drogas; Escravidão branca; Miscigenação, ou seja, relação sexual entre pessoas brancas e negras; Doenças sexualmente transmissíveis; Cenas de mulheres dando à luz ou apenas a silhueta; Órgãos sexuais de crianças; Ridicularização do clero; Ofensas à qualquer nação, raça ou credo.

Já na lista de “be carefuls” (no qual indicava precisamente para ter cuidado quando fossem tratar de certos temas), havia: O uso da bandeira dos Estados Unidos; Relações internacionais (evitar falar sobre religião, história, cultura e cidadãos de outros países); Incêndio culposo; Uso de armas; Roubo, furto, etc; Brutalidade e violência; Assassinatos de qualquer método; Contrabando; Enforcamento, eletrocução ou qualquer outra punição legal para crimes; Simpatia para criminosos; Pessoas e instituições públicas; Crueldade com crianças e animais; Venda de mulheres ou prostituição; Estupro ou tentativa de estupro; Homem e mulher na cama juntos; Sedução deliberada de meninas; A instituição do casamento; Operações cirúrgicas; Uso de drogas; Cenas contendo policiais; Cenas de beijos excessivos.

Os filmes precisavam passar por uma inspeção para serem aprovado para ir ao cinema, e o filme que tivesse algum dos itens citados, ou que fosse ofensivo de qualquer forma, era banido. Como já era discutido isso antes de entrar em vigor, filmes do final dos anos 20 e início dos 30, resolveram utilizar quase todos os ítens “proibídos”, e continham insinuações sexuais, miscigenação, uso de drogas, prostituição, entre outros – e deu origem a um sub-gênero chamado de “pre-code Hollywood” (Hollywood pré-código). Mas esse sub-gênero não durou muito, pois em 1934, entrou o Production Code Administration e os filmes que fossem lançados em primeiro de julho de 1934 ou após dessa data, teriam de terem um certificado de aprovação antes da estréia.

Um dos casos mais famosos da censura, foi Casablanca (1942), que teve de ter seu final alterado. Inclusive o desenho animado da Betty Boop foi censurado, e de simbolo sexual passou a ser quase uma dona de casa. Porém, nos final dos anos 60, o código foi entrando em desuso e sendo abandonado, até em 1968 ser completamente abolido.

 

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