Resenha: O Regresso (The Revenant)

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The Revenant (O Regresso, no Brasil) é um filme de drama norte-americano de 2h36min (tendo sua estreia no Brasil em 4 de fevereiro de 2016). Foi dirigido por Alejandro González Iñárritu, com atuação de Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter, Lukas Haas, entre outros.

ATENÇÃO: PODE CONTER SPOILERS.

O filme, que é inspirado em fatos reais, conta a história de um grupo de exploradores que passam por vários obstáculos. Logo de início, os exploradores são “saqueados” pela tribo Pawnee que busca incansavelmente pela filha do líder – que sumira sem deixar rastros; roubam suas peles (para, mais tarde, trocar por cavalos com os franceses e assim conseguirem andar mais) e matam seus homens, obrigando-os a deixar do alojamento numa pressa considerável. Para fugir, Hugh Glass sugere que eles entrem no meio da floresta para ficar mais difícil de serem encontrados, e o capitão concorda com ele. Glass, além de se salvar, também zela pela vida do seu filho, Hawk – que fora fruto do amor de Glass com uma cidadã da tribo.

Glass, então, passa pelo primeiro obstáculo: enquanto estava caçando na floresta, ele é atacado por mais de uma vez por um urso que o deixa com inúmeros machucados. Fitzgerald sugere que o capitão de um fim logo a Glass, para não terem mais um problema para lidar. Seus colegas ignoram e dão os primeiros cuidados para Glass. Entretanto, lá vem mais um obstáculo: as subidas das montanhas são difíceis demais de subir carregando um homem machucado. Novamente é sugerido que alguém mate Glass, mas o capitão se impõe e oferece valor em dólar a quem cuidar de Glass até ele melhorar para prosseguir viagem. Seu filho e seu amigo, Jim, concordam em ficar sem precisar de dinheiro; Fitzgerald, entretanto, concorda em ficar para ficar de olho no corpo, mas desde que ele receba o dinheiro dos outros dois que desistiram do dinheiro deles. Em todo o tempo que Fitzgerald ficou cuidando de Glass, ele sugeria por um fim na vida dele. Até que, um dia, enquanto Jim saia para caçar e Hawk estava distante, Fitzgerald propõe para o próprio Glass que ele o sufoque para terminar logo com isso – e ainda usa seu filho como desculpa de sofrimento. Pede para Glass piscar se ele concordar (Glass não podia andar, falar, se mexer, não conseguia fazer absolutamente nada depois do ataque do urso) e depois de insistir bastante, Glass pisca. Nesse mesmo momento, Hawk chega e tenta impedir – é ai que Fitzgerald mata o filho de Glass. Quando Jim retorna, Fitzgerald finge que não sabe onde está Hawk e diz que viu que os saqueadores estariam por perto, e que seria hora de eles partirem pois corriam risco de vida. Ele convence Jim de que deveriam deixar Glass para trás e ainda tentam o enterrar na terra. Eles, então, vão embora.

É nesse momento que o show vira todo de Leonardo DiCaprio. Sozinho, Glass precisa sobreviver, mas ele mal consegue se mover. Ele se arrasta até o local onde seu filho se encontra morto e fica lá por alguns instantes. Até que percebe que ele também precisará sair de lá – ele, então, pega algumas de suas poucas coisas que sobraram e também parte, com bastante dificuldade. Ao longo do seu percurso, ele tenta se alimentar, mas tem bastante dificuldade por causa da sua garganta machucada. Beber água também o incomoda. Não há muita ação além de Glass tentando, a qualquer custo, sobreviver. Até que, depois de alguns dias, ele encontra um rapaz (que também era da tribo Pawnee mas estava perdido) que estava caçando para sobreviver, que divide com Glass um pouco do que havia caçado; Glass conta para este rapaz que ele foi atacado e seus homens o deixaram para trás para ele morrer – e que mataram seu filho. Numa compaixão, o índio resolve ajudar Glass – diz que ele viajará com ele, cuida de seus machucados, faz até mesmo uma cabaninha com galhos e uma fogueira para aquecer Glass e ajudar na sua recuperação. Infelizmente, ao acordar numa manhã fria, encontre este rapaz morto. Novamente, Glass encontra-se sozinho. Neste meio termo, Fitzgerald e Jim vão de encontro ao seu grupo e contam que, infelizmente, Glass não sobreviveu.

Glass, então, incansavelmente tenta ir de encontra com seus colegas. Rouba cavalo, enfrenta mais problemas, é atacado pelos franceses. Mais sofrimento. Um homem vai no alojamento dos colegas de Glass e, ao pedir por comida, eles pedem tudo o que ele tinha – e, dentre os pertences, encontraram uma garrafa que pertencia ao Glass. Seus colegas resolvem ir de encontro a este homem que foi visto. Chegando lá, para a surpresa de todos, eles encontram Glass vivo! Glass, então, conta todo o ocorrido e, ao voltar para o alojamento, Glass diz que quer vingança contra Fitzgerald por ter matado seu filho. Tentam armar uma emboscada, mas o primeiro morto é o capitão. Glass, enfim, consegue matar Fitzgerald e completar sua vingança. O fim, entretanto, termina de forma misteriosa. Implica que Glass pode, por fim, ter morrido – mas nada é confirmado.

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Apesar de a história ser comovente e envolvente, na maior parte do tempo o filme fica estagnado. Fica parado naquele sofrimento que o Glass sofre, tanto físico quanto psicológico. Mostra parte a parte a recuperação, mostra os obstáculos e como ele faz para sobreviver sozinho (mesmo que, numa parte ou outra do filme ele tenha tido ajuda). Algo que ninguém pode negar é a brilhante atuação de Leo – a melhor dele que eu já vi. A forma com que ele demonstra todos os seus sentimentos mesmo não podendo falar, demonstrando apenas com as expressões faciais, é sensacional (especialmente na hora em que seu filho é morto). O mesmo podemos dizer sobre a atuação de Tom Hardy, que também foi excelente. Podemos observar ainda, a forma com que o elenco foi ensaiado, todos em uma perfeita harmonia em todas as cenas. Além disso, vemos, novamente, um trabalho incrível de Alejandro. É bom também ressaltar dois pontos que me chamaram bastante atenção: eu, como uma apaixonada por Direção de Arte, fiquei encantada com toda a Arte do filme; cenário, figurino, maquiagem… todos excepcionais! A fotografia também é algo a ser ressaltado, já que traz uma tranquilidade, além do fato de, em algumas cenas, eles colocarem o telespectador “dentro” do filme (por exemplo: em algumas cenas quando o Glass estava cansado, foram utilizados alguns efeitos de câmera, como: embaçar a lente enquanto Glass respirava, alguns pingos de sangue e água também foram jogados nas lentes), e ao contrário do que muitos pensam, essas ações foram intencionais e não foram por falta de “cuidado” nas gravações. É como se Alejandro e sua equipe quisessem nos levar para dentro do filme com os personagens. Sensacional! Avaliação: 8/10

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Indicado ao Oscar nas categorias:
Melhor Filme | Melhor Diretor | Melhor Ator | Melhor Ator Coadjuvante | Melhor Mixagem de Som | Melhor Edição de Som | Melhor Direção de Arte | Melhor Fotografia | Melhor Figurino | Melhor Maquiagem | Melhor Edição | Melhores Efeitos Visuais

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