Resenha: O Quarto de Jack (Room)

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Room (O Quarto de Jack, no Brasil) é um filme de drama canadense-irlandês de 1h58min (tendo sua estreia no Brasil em 4 de setembro de 2015). Foi dirigido por Lenny Abrahamson, com atuação de Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen, William H. Macy, Sean Bridgers, entre outros.

ATENÇÃO: PODE CONTER SPOILERS.

O filme começa com Jack narrando como veio ao mundo, segundo a visão de sua mãe. De início, vemos somente Jack e sua mãe no quarto – no dia do aniversário de cinco anos dele. Sua mãe diz que vai fazer um bolo de aniversário – iguais os da tv. Como eles nunca saem do quarto (tudo é feito dentro dele), sua mãe diz que nada é de verdade, é tudo de televisão (cachorros, piscina, árvores, tudo). O bolo não ficou como esperado – e Jack diz que sua mãe deveria pedir para o velho Nick trazer velas e presentes de verdade no lugar de roupas. Velho Nick, de início, é visto por Jack como o mágico que consegue tudo. Estranhamente, quando velho Nick vai visitá-los no quarto, ele tem de dormir dentro do guarda-roupa. Jack ficou tão desapontado por não ter tido velas, que sua mãe se viu obrigada a pedir um brinquedo de presente para o pequeno Jack. Na segunda visita de velho Nick, podemos perceber que visivelmente a mãe sofre abuso psicológico dele, sempre tentando menosprezá-la – ela reclama sobre as vitaminas que faltam para ela e Jack (como eles não saem na rua e nem se alimentam corretamente, precisam de vitaminas) e ele a chama de ingrata, diz que ela não agradece o que ele faz por ela (ele que paga as contas, etc). Ela agradece e pede desculpas. Ele diz que ele foi dispensado do trabalho e que ela não se importa. Neste momento, ele tenta se aproximar de Jack (que está no guarda-roupas), mas sua mãe tenta ao máximo afastá-lo. Jack não consegue dormir, então ele decide sair do guarda-roupas para ver quem é o velho Nick mesmo. Porém, ele acaba por acordar o velho Nick, e sua mãe, com medo, parte pra cima dele para que ele não encoste em Jack. Velho Nick, então, sufoca a mãe, ameaça-a e vai embora. Jack entra em desespero, pedindo desculpas.

No dia seguinte, eles percebem que o velho Nick desligou a eletricidade. Sua mãe, então, se vê cansada de tudo e decide contar a verdade para Jack: que, na verdade, existe um mundo lá fora – e real. O mundo que eles assistem na televisão, de fato, existem. Diz que existe pessoas de verdade, cachorros, oceanos, árvores. Jack hesita em acreditar, mas ela continua. Explica que ela teve de inventar um mundo de faz de contas porque ele era muito pequeno, mas agora já estava crescido o suficiente para entender. Diz que ela não esteve sempre no quarto, que ela era uma menina chamada Joy que morava numa casa com seus pais; mas quando ela tinha 17 anos, um cara fingiu que seu cachorro estava doente, ele a sequestrou e a trancou no quarto e ele é o único que sabe a senha – este cara é o velho Nick. Ela está há 7 anos no quarto (sim, Jack é filho do velho Nick) e ela precisa da ajuda dele. Novamente ele hesita. Entretanto, ele acorda no dia seguinte revoltado com velho Nick e quebra o carrinho que tinha ganhado de presente. Então, a mãe tem uma ideia: conversa com Jack para ele fingir que ele ficou doente porque a energia foi cortada e que ele precisa ir ao hospital. Dá um bilhete para Jack, para ele entregar a alguém quando encontrar outra pessoa. Ele também carrega um dente da mãe que caiu. Porém, o plano dá errado e velho Nick vai embora correndo, abandonando os dois no quarto. No dia seguinte, eles pensam em outro plano: fingir que Jack morreu graças a febre e precisa ser tirado de lá. Velho Nick tira Jack de lá em um tapete e o coloca em sua caminhonete. Jack tenta se desenrolar do tapete para pular. Encontra um homem com um cachorro e grita por ajuda. O homem diz que vai chamar a polícia – e chama. Velho Nick foge e Jack tenta explicar para a polícia o que aconteceu: que ele e sua mãe vivem no quarto, sem janelas, só com uma clarabóia. Ele conta que ouvia a voz da sua mãe dizendo para ele pular quando o carro diminuir a velocidade, e ele só conseguiu pular na terceira parada. A polícia consegue achar a casa e tira a mãe de lá.

A partir de então é mostrado todo o momento que sucede o sequestro. Mostra a recuperação de Jack, a tentativa de recuperação da mãe; mostra como ela lida com a situação – e desaba. Agora que a avó de Jack pode cuidar dele, a mãe desaba emocionalmente. Desaba todo o abuso físico e psicológico que ela sofreu durante 7 anos. Ao mesmo tempo, eles são assediádios pela mídia, todos loucos para saber o que aconteceu e como eles conseguiram sobreviver a todo o drama. Logo depois de sairem do quarto, a mãe parece bem psicologicamente, mas com o tempo começa a mostrar como ela está destruída. A avó de Jack e seu amigo são amigáveis e caloroso com Jack, mas seu avô não o aceita. Mãe de Jack fica pior a cada dia, até que ela é levada para o hospital e fica internada lá por um tempo. Quando ela sai de lá, está melhor, um pouco mais recuperada e pronta para viver o resto da vida livre junto de Jack.

Brie Larson and Jacob Tremblay star in "Room." (Ruth Hurl/Element Pictures)

Essa resenha é uma das que eu estava mais ansiosa para fazer. Esse filme é maravilhoso do começo ao fim. Dá até um arrepio na espinha só de lembrar dele e arrepia o corpo todo falar sobre. De certa forma, o filme é simples – não é nenhuma mega produção com vários efeitos especiais; se você está procurando isso, esse não é seu filme. Entretanto, a história é espetacular. Incrível. Se você quer um filme que te surpreenda, te emocione, que realmente te toque, esse é seu filme. O filme te deixa dentro do universo do roteiro, da maneira mais realista possível. Além de tudo, ele é surpreendente. Sabe quando você está assistindo a um jogo de um esporte x que você gosta muito? Sabe o quanto você torce? É assim que ficamos assistindo O Quarto de Jack. É extraordinário. A divisão de direção de arte quarto x fora do quarto é incrível – deixa bem explícito a diferença que ambos sentiam nos dois ambientes. Quero ressaltar (e muito!) a atuação do pequeno Jacob – que atuação excelente! Nem de longe deixa a desejar. As técnicas de atuação parecem de adulto, mas ao mesmo tempo ele não perde a inocência infantil e o jeitinho meigo de criança. Ele é uma das pérolas do filme. Brie Larson também aparece impecável – tanto no quarto, quando se vê a viver uma mentira para lidar com Jack quanto no pós-sequestro, na parte em que precisa viver na sociedade de novo. Seus surtos, suas expressões – todas muito realistas. Claro que existem alguns defeitos, a fotografia não é como estamos acostumados em grandes filmes, a direção de arte também não (apesar de ter toda a preocupação de colocar os detalhes em todos os planos); mas de forma geral é um excelente filme. Avaliação: 10/10

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Indicado ao Oscar nas categorias:
Melhor Filme | Melhor Diretor | Melhor Atriz | Melhor Roteiro Adaptado

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