Resenha: A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl)

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The Danish Girl (A Garota Dinamarquesa, no Brasil) é um filme de drama biográfico de 2h (tendo sua estreia no Brasil em 11 de fevereiro de 2016). Foi dirigido por Tom Hooper,  com atuação de Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Matthias Schoenaerts, Ben Whishaw, Amber Heard, Sebastian Koch, entre outros.

ATENÇÃO: PODE CONTER SPOILERS.

O filme é biográfico e conta a história da primeira mulher transexual a se submeter a cirurgia de mudança de sexo. O filme tem seu iníco com Gerda e Einar na apresentação das obras de Einar – ambos são pintores. Gerda pinta retratos, enquanto Einar, paisagens. Desde o começo podemos observar que Einar se interessa por roupas e peças femininas. Einar pose para Gerda em roupas femininas para dar inspiração a ela e ele já começa a sentir sentimentos e sensações diferentes. Quando a amiga de Gerda o vê vestido de mulher, tem a ideia de inventar a ele um codinome: Lili. Certa noite, quando ambos estão para dormir, Gerda percebe que Einar está com sua camisola para dormir – entretanto, parece não se importar. Até que, depois de um tempo, eles são convidados a uma festa – mas Einar não quer ir. Eles, então, decidem vestir Einar como Lili. Escolhem cabelo, maquiagem, vestido, sapato, etc e vão a festa como duas mulheres. Para todos, Einar é apresentado como Lili, a prima de Einar. Lili pede para que Gerda não a deixe de lado, mas inevitavelmente ela se afasta por um momento – é aí que entra um rapaz (Henrik) e tenta seduzir Lili. Eles se beijam, mas Gerda entra no mesmo momento. Ele tenta explicar a ela que, na verdade, ali ele era Lili. Gerda hesita e diz que não existe nenhuma Lili, que eles a inventaram para brincar. Einar diz que algo diferente aconteceu, algo mudou.

Ainda se sentindo diferente, Einar vai ao mesmo local onde ele e Gerda arrumaram roupas para Lili, para se imaginar como mulher, colocar roupas e se sentir como Lili. Logo depois, confessa para Gerda que tem se encontrado com Henrik, mas como Lili. Confusos, Gerda e Einar começam a procurar médicos para verificar o que está acontecendo com ele – os médicos dizem que ele está louco e querem o internar. Ao mesmo tempo, ela recebe uma proposta para trabalhar em Paris e devido as circunstâncias, aceita. Em Paris, Einar vai até um prostíbulo – mas apenas para ver como as mulheres seduzem e aprender esta arte. Gerda vai atrás de um amigo de Einar, Hans (que já tinha beijado Einar quando eles eram jovens) e diz que ele precisa de ajuda e apoio de um amigo. Quando Hans vai ao encontro de Einar, encontra Lili e também entra na confusão mental que estava pairando o ambiente. Hans mostra-se visivelmente interessado em Gerda em vários momentos. Einar, a partir de agora, só vive como Lili. Depois de uma passada na biblioteca para ler livros sobre comportamentos de homens (na época, isso era considerado imoral e anormal), ele é abordado por dois homens que o espancam.

Depois de visitar vários médicos e receber diversos diagnósticos diferentes relacionados a problema mental, ele finalmente encontra um médico, Warnekros, que se diz disposto a ajudá-lo. Diz que já conheceu outro homem que se sentia desta forma e que tinha sugerido uma cirurgia de mudança de sexo –  mas o outro homem desistiu no dia anterior a cirurgia. Sem nenhuma dúvida, Einar aceita. Diz que será uma cirurgia em duas partes: primeiro retira a genital masculina e na segunda “transforma” em genital feminina. Durante todo o período Gerda e Hans estavam com Einar, dando apoio e carinho. A primeira cirurgia ocorre bem – apesar de todos os comprimidos necessários para amenizar a dor e os efeitos colaterais. A segunda, entretanto, tem complicações e Lili não resiste. Lili conta sobre o sonho em que tinha nascido mulher e aparenta estar extremamente realizada, até o seu último suspiro.

A história é extremamente emocionante, do começo ao fim. Como foi baseado em fatos reais, podemos relacionar ainda mais com a realidade. Entretanto, lá pro meio do filme, ele começa a ficar na monotonia – repete demais ações parecidas, conversas, tudo; e, por conta disso, aceleraram demais no final. Quero ressaltar a beleza do figurino e da maquiagem – a direção de arte num todo, também. Junto da fotografia e da edição de cores, ficou uma delícia para os olhos – filme lindo visualmente. Apesar de existirem falhas no roteiro (e, também, falhas perante a história original – estou ciente de que é uma adaptação, mas algumas coisas não se encaixam), a história é interessante e a direção foi muito bem executada. Não sei nem por onde começar a falar da atuação do Eddie e da Alicia. Espetaculares. Confesso que eu assisti esse filme esperando uma atuação excelente do Eddie (depois do trabalho magnífico que ele fez em A Teoria de Tudo)  e não fui decepcionada. A postura, os gestos, a fala, o andar, o olhar… tudo se encaixou. Eddie realmente foi Lili durante as gravações, impecável. Toda a emoção e delicadeza carregada no olhar, que nos faz sentir os mesmos sentimentos do personagem. Conseguimos sentir todo o conflito interno e externo que a personagem passa. Já quanto a Alicia, tenho a mesma opinião. Sentimos a agonia da impossibilidade de agir de Gerda, sentimos o amor por Einar e como ela é capaz de tudo para ajudar seu amor a se encontrar. Existe muita confusão entre os personagens, mas nunca em suas atuações. Avaliação 9/10

Indicado ao Oscar nas categorias:
Melhor Ator | Melhor Atriz Coadjuvante | Melhor Direção de Arte | Melhor Figurino

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