Resenha: Spotlight – Segredos Revelados

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Spotlight (Spotlight – Segredos Revelados , no Brasil) é um filme de drama biográfico de 2h (tendo sua estreia em 6 de novembro de 2015). Foi dirigido por Tom McCarthy,  com atuação de Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattery, Stanley Tucci, entre outros.

ATENÇÃO: PODE CONTER SPOILERS.

O filme é baseado em fatos reais, tem seu início com o redator chefe de Spotlight, Robby, dando as despedidas para o diretor do jornal The Boston Globe e, pouco tempo depois, a entrada de um novo diretor – Baron. Esse novo diretor chega e pede para Robby que eles investiguem algo mais sério: os padres pedófilos e os abusos sexuais sofridos pelas vítimas. Sua equipe acha que o assunto é pesado demais para eles, ficam receosos, mas acabam cedendo. Iniciam as investigações e chegam até um advogado famoso nesse assunto, Garabedian, que tem uma lista grande de clientes vitimas de padres. Descobrem também, que o cardeal Law estava ciente sobre os casos, mas junto da igreja preferiu varrer tudo para debaixo dos panos. Decidem ir aos poucos: começam a investigar outro caso famoso, caso Porter, do advogado MacLeish, que também tem bastante conhecimento no assunto.

Baron também decide ir atrás e decide desafiar a ordem de proteção no caso de uma das vitimas, para ter acesso as informações do caso (que são sigilosas). Logo fica o espanto “você quer processar a igreja católica?”, diz um de seus publicitários. Informa que 53% dos leitores são católicos e a igreja lutaria forte contra isso, mas Baron diz que realmente acha que isso é necessário – ele tem de ir em frente e enfrentá-los. Enquanto isso, um dos jornalistas de Spotlight, Mike, vai visitar Garabedian. Logo de cara percebe que o cara é uma figura e será difícil conseguir o apoio dele nesta jornada. Garabedian quer, a todo custo, proteger seus clientes e acha que dar informações sobre eles, atrapalharia o sigilo do processo. Mike diz que deseja contactar as vitimas, caso possível e Garabedian diz que retornará para ele. Ao mesmo tempo, Robby e outra jornalista do Spotlight, Sacha, vão visitar outro advogado, MacLeish. Conversam sobre Garabedian, e Macleish duvida que ele tenha algo contra a igreja que seja prova viva; diz que ele deve estar aumentando as coisas para ganhar fama no caso. A equipe começa a vasculhar arquivos antigos e acha um grupo, SNAP (rede de sobreviventes abusados por padres), que lida com pessoas que foram vitimas de abuso de padres. Vão atrás do seu líder, Phil Saviano. Os superiores deles dizem que é muito arriscado continuar com esse caso pois a igreja é muito poderosa, mas eles ignoram. Conseguem contato com Saviano, e ele conta sua história; de como foi molestado por um padre chamado David Holly e que seu grupo tem muitas outras pessoas que passaram pelo mesmo problema. Ele deixa uma caixa com evidencias e histórias para a equipe de Spotlight – afirma, também, que já havia deixado essa caixa com eles há alguns anos, mas nunca ninguém quis lhe dar atenção. No momento em que encontram as vitimas, eles anexam ainda mais histórias ao caso. Visitam algumas vitimas (tanto do SNAP quanto de Garabedian), ouvem seus casos e anotam tudo como prova. Sacha consegue contato até com um padre que havia abusado de algumas crianças, e ele assume o abuso, mas diz que “não era bem assim” e que não era nada para fazer mal a eles, era apenas uma forma normal de mostrar afeto perante a Deus.

Nesse meio tempo, Garabedian move uma ação na justiça para tornar o caso dele público. Há vários altos e baixos, mas depois de insistir, ele consegue que os dados sigilosos se tornem públicos e de acesso para todos. Mike retira esses documentos e leva tudo para a equipe do Spotlight. Eles, finalmente, conseguem todas as provas disponíveis. Eles já tinham uma lista de 87 padres suspeitos, mas precisavam provar – conseguiram provar pelo menos 20 deles. Baron diz que não quer apenas os nomes dos padres, ele quer pegar o “sistema” – mostrar como a igreja e o cardeal sabiam de tudo e nada foi feito, ano após ano, apenas os mudando de igrejas para não criar um caso. E aí entram na reta final: eles têm um prazo máximo para entregar a matéria toda pronta, mais precisamente dia 1 de janeiro – precisam correr pois os concorrentes também já tem acesso aos arquivos, mas também não quiseram estragar o natal e nem o ano novo com essa notícia bombástica. Após terminarem toda a reportagem, eles finalmente lançam a reportagem. Eles são bombardeados com vitimas entrando em contato para contar seus casos, o telefone não pára de tocar e é aí que eles percebem que, depois de tanto trabalho, a reportagem ficou bem sucedida e foi um sucesso.

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Apesar de a história ser excelente, o roteiro é um pouco parado. Aliás, o roteiro é ótimo, mas a direção deixa a desejar. O filme tem um tom lento e demorado de pesquisa que dá um pouco de sono. A atuação do elenco é ótima – isso de todos os do núcleo principal. O filme dá um suspense e te deixa naquela apreensão (o que é ótimo!), mas deixa na apreensão por muito tempo. A fotografia é comum, sem nenhum toque especial. A mistura da direção de arte com a edição não é chamativa: foi  utilizado um tom frio na maioria das cenas, talvez para não passar tanta emoção, já que o filme aborda uma história triste e polêmica (é baseado em fatos reais); além disso, o cenário é muito bagunçado 90% do filme – novamente, para mostrar a exaustão de abordar um tema tão delicado em um lugar tão conservador, onde os personagens se viram num meio sem saída de ir atrás de provas para então poder ir atrás de justiça, sempre ocupados e dispostos a esclarecer tudo. A história é envolvente e faz questão de colocar todos os “pontos nos is” – não deixa nada subentendido, tudo é falado da forma mais explícita possível exatamente para nos deixar no meio daquela confusão e fazer o público se apegar a história. No geral, um filme ótimo. Avaliação 8/10

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Indicado ao Oscar nas categorias:
Melhor Filme | Melhor Diretor | Melhor Ator Coadjuvante | Melhor Atriz Coadjuvante | Melhor Roteiro Original | Melhor Montagem |

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